quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

No tempo de uma fumada


Ele já tinha lido vários contratos e documentos naquela tarde. As cláusulas com letras miúdas feriram-lhe a vista. Seus olhos pesavam. Sua cabeça doía. Acendeu um cigarro. Foi à janela. Uma, duas, três tragadas. Entrou em meditação.


Na rua, uma senhora passeava com seu cão. Moleques jogavam futebol. Jovens casais transitavam. Um vagabundo dormia profundamente no banco da praça. Pássaros cantavam nos galhos duma árvore. Um velhinho sentado ao portão de uma casa assobiava, sossegado. Uma mulher varrendo a calçada cantarolava uma canção de Caetano Veloso. Uma loira de olhar azul celeste passou embaixo da janela, foi a melhor visão que teve. Quanta tranquilidade. Fora do escritório, longe da papelada, a vida parecia em paz.


Virou-se para a mesa bagunçada. Uma pilha de papéis o aguardava. Acendeu outro cigarro.

Flávio Soares

3 comentários:

burns disse...

e eu parei...
sou um imbecil.

Thiago Almeida disse...

Sensacional!
Um dos seus melhores textos (na minha singela opinião).

Abração, Flavio!

Regiane disse...

Muito bom,passa uma paz mesmo...

bjos, Regiane