quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Elegia a Antônio II

A existência nunca foi tão vã
como é neste momento
que bebo pensando em ti, amigo.
Tu que fostes um homem de filosofia simples:
''Não se preocupe e será feliz"
o eco dessas palavras perdura
como a incerteza sobre Deus numa mente descrente.

Meus dias são iguais
minhas inquietudes diferentes
os teus, no leito sepulcral, são iguais
mas a paz, sempre a mesma.

À mesa de um bar
bebendo triste e só
recordo quando discutíamos Rousseau
"O homem é naturalmente bom", você lembrava.
Teu semblante sereno como o de um velho professor
ainda habita minhas lembranças.

Uma vez dissestes:
"A felicidade tem um grau variável,
o da infelicidade é sempre alto
basta calcularmos as coisas
para não termos decepções".

Eu errei o cálculo
cá estou a mergulhar
no álcool gelado.

Flávio Soares

Um comentário:

Davi disse...

Olá
agradeço as palavras ao meu poema. Teus escritos são muito bem feitos, vejo que te preocupas com muitas coisas que, na minha presunçosa opinião, são importantes!
grande abraço