quarta-feira, 2 de maio de 2012

Final triste

Minha garrafa de vodca está no fim
só me resta mais um gole.

Lá longe um cachorro late
ferindo o silêncio madrigal
como se o mundo fosse acabar.

Minha garrafa de vodca está no fim...

Flávio Antunes Soares

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Lançamento do meu livro "Garrafas quebradas"



No dia 20 desse mês, sexta-feira, às 19 horas, na biblioteca municipal de Mauá, haverá o lançamento do meu livro "Garrafas quebradas". Convido a todos para o evento. Haverá também a apresentação musical, com violão e voz, de Gideão Cardoso. Todos que comparecerem, se quiserem, terão a oportunidade de recitarem seus poemas. 

A biblioteca fica no piso térreo do Green Plaza shopping, em frente a estação de trem, na Rua Rio Branco, 85, Mauá, Sp.

Flávio Antunes Soares

quinta-feira, 1 de março de 2012

Muro transparente

Todos os dias
em seu uniforme laranja
ele varria as ruas
onde elas, desdenhosas, passeavam.

Ele nunca planejou varrer ruas
nem mesmo pediu pra nascer
isso simplesmente aconteceu
como alguém segue um caminho errado
sem saber por quê.

Todos os dias
os high heels delas passeavam
pelas ruas que ele varria.

Flávio Soares 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Arrependimento

Que coisa mais estranha é esta vida
agora que tu foste, penso em ti.
Inquietação pulsante e dolorida.
Até sobre suicídio refleti.

Minha existência aos poucos dissolvida,
que, melancólico, eu comprometi,
pelo torpor do álcool absorvida,
tenta em vão esquecer do que senti.

Passo meus dias por aí penando
a imprecar contra a maldita sorte.
Não obtenho mais uma alegria.

Perto de mim, o Fim fica acenando
fazendo-me pensar em ver a morte
para atingir eterna letargia.

Flávio Antunes Soares

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Conversando com Álvaro de Campos

"Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?"
Álvaro de Campos

Sabe, Álvaro
também nunca conheci
alguém que tivesse levado porrada
assim como você
estou cercado de campeões.

Oh! Mas que angústia
ver todos os olhos do mundo
me enxergarem tão vil
ao mesmo tempo que meus ouvidos se assombram
com as narrativas heróicas dos vencedores.

Diante dos semideuses
minhas infâmias se escondem no fundo de minha mente.
Que coisa mais vil!
Se esconde o demônio louco.
Se esconde o ladrão.
Se esconde o assassino.
Se esconde o egoísta.
Se esconde o ridículo.
Se esconde o anjo perverso.
Se esconde tudo o que pode haver de vil.

Por conta disto, Álvaro
também titubeio
ao falar com meus superiores
e me envergonho toda vez que ouço
suas vozes inumanas.

Flávio Soares


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Pelas grades do cárcere

Lá fora os pássaros cantam
e as raparigas passeiam.

Cá dentro um pássaro chora...

Flávio Soares

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Dogs

Whenever a dog barks
one thinks it is nothing but a mere bark.
No one ever bears in mind that
the dog may be calling names
or saying things like:
"Hey, human! Get out of my way!
You are not better than me.
You are just another son of a bitch."

Flávio Soares

Note: People always ask me why I never write poems in English or in Spanish. I tell them that no matter how well you master a foreign language, things always cause more impact in our mother tongue. However, the idea of writing "Dogs" had been in my mind for a long time. At first, I wanted to write it in Portuguese and I even struggled to do that but the term "son of a bitch" does not cause the same impact in Portuguese. Therefore, I decided to write it in English so that the poem could be more meaningful. For those who can speak both languages, I guess it is quite a challenge to translate it into Portuguese. 

Nota: As pessoas sempre me perguntam por que nunca escrevo nada em inglês ou espanhol. Eu digo a elas que não importa o quanto você domine um idioma estrangeiro, as coisas sempre são mais impactantes em nossa língua materna. No entanto, a ideia de escrever "Dogs" ficou meses em minha cabeça. A princípio, quis escrevê-lo em português e até batalhei para fazer isso, mas o termo "son of a bitch" não tem o mesmo impacto para quem está acostumado a dizer outra coisa, que não citarei aqui. Portanto, decidi escrever este poema em inglês para que sua ideia fosse mais significativa. Creio, que para aqueles que falam ambas as línguas, é um desafio e tanto traduzi-lo para o português.

Flávio Soares