segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Dogs

Whenever a dog barks
one thinks it is nothing but a mere bark.
No one ever bears in mind that
the dog may be calling names
or saying things like:
"Hey, human! Get out of my way!
You are not better than me.
You are just another son of a bitch."

Flávio Soares

Note: People always ask me why I never write poems in English or in Spanish. I tell them that no matter how well you master a foreign language, things always cause more impact in our mother tongue. However, the idea of writing "Dogs" had been in my mind for a long time. At first, I wanted to write it in Portuguese and I even struggled to do that but the term "son of a bitch" does not cause the same impact in Portuguese. Therefore, I decided to write it in English so that the poem could be more meaningful. For those who can speak both languages, I guess it is quite a challenge to translate it into Portuguese. 

Nota: As pessoas sempre me perguntam por que nunca escrevo nada em inglês ou espanhol. Eu digo a elas que não importa o quanto você domine um idioma estrangeiro, as coisas sempre são mais impactantes em nossa língua materna. No entanto, a ideia de escrever "Dogs" ficou meses em minha cabeça. A princípio, quis escrevê-lo em português e até batalhei para fazer isso, mas o termo "son of a bitch" não tem o mesmo impacto para quem está acostumado a dizer outra coisa, que não citarei aqui. Portanto, decidi escrever este poema em inglês para que sua ideia fosse mais significativa. Creio, que para aqueles que falam ambas as línguas, é um desafio e tanto traduzi-lo para o português.

Flávio Soares

domingo, 6 de novembro de 2011

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

De fora

Oswald de Andrade tinha razão
só a antropofagia nos une
mas não quero um banquete
para filosofar a cerca da vida.

Sou um país inabitado.

Tudo em mim é solitário
poesia, filosofia, sexo...

Portanto
quedo só
a me consumir num copo de vodka
minha face refletida no álcool
desce goela a baixo
como uma cachoeira
e por um instante
sou completado comigo mesmo.

Flávio Soares 

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Terapia campestre

Acima,
céu azul-calma
a minha frente, o rio.
Longe da inquietude urbana,
reflito.

Flávio Soares

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Anoitecer de inverno

Desceu
a noite fria
escuridão sem fim.
Lá longe, uma coruja pia:
SPLEEN.

Flávio Soares

terça-feira, 14 de junho de 2011

Elegia a Antônio IV

"Ninguém precisa de nós", li num poema
isto me fez recordar nossas discussões
quando depreciávamos o velho
e exaltávamos o novo.

Pois é
que ironia, Antônio
hoje sou criticado.

Os expoentes de nossa geração
a exemplo dos de Ginsberg
caíram um a um
bêbados, loucos, esquecidos...

O mundo girou rápido
enquanto meu olhar enrugava.

Flávio Soares

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Sobre viver

Viver é uma noite de insônia
com fantasmas no quintal.
Algoz que tortura aos risos.
Cavalos sem dono correndo na praia.

Cem garrafas de vodka em cinquenta dias.
Cobras comendo maçãs.
Herói que se suicida.
Mil auroras por minuto.

Devorar o próprio coração.
Sentir o gosto do câncer.
A voz de Deus ecoando ao longe.
Um tiro na têmpora por dia
e o desejo desconhecido
de prosseguir.

Flávio Soares