terça-feira, 19 de abril de 2011

domingo, 13 de março de 2011

Elegia a Antônio III

Quando meu cão morreu
enterrei-o no quintal
Antônio compareceu
e enquanto eu jogava terra na cova
ele recitou um poema de sua autoria
cujo título era "Castelo de areia"
era muito tocante
falava da fragilidade de nossa existência.

Mais tarde, à mesa de um bar
Antônio me disse que a vida
é uma bomba
pronta para ser detonada
só não sabemos quando
a morte apertará o botão.

Então foi assim
num dia qualquer
Antônio explodiu
como dentes-de-leão ao vento.

Flávio Soares

domingo, 20 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Politicamente correto X verdadeiro

Triste existência de quem nunca fala
por ter um pensamento diferente
quem vive se omitindo, quem se cala
temendo confusão com algum ente.

Também é infeliz o que propala
as coisas que trafegam pela mente
o que todo diálogo avassala
mostrando a qualquer um como se sente.

Nesse dilema de ser ou não ser
na luta entre o agrada e o desagrada
não se pode evitar os arreliados.

Haverá sempre alguém para dizer:
"Fulano é desprezível! Vale nada!"
No fim, terminam todos como errados.

Flávio Soares

domingo, 26 de dezembro de 2010

Deleite

A porta do quarto entreaberta
ela trocando de roupa
meus olhos em chamas.

Flávio Soares

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Avidez mortal

Quando os bares fecharam
ele saiu louco pelas ruas
em busca duma dose de qualquer coisa
para acalmar sua consciência.

No meio da noite
seus sapatos nervosos pisando o asfalto
e a presença invisível de Deus.

Flávio Soares

terça-feira, 7 de dezembro de 2010